A utilidade e a necessidade da ultrassonografia da tireoide

O uso da técnica de se examinar a região cervical anterior por ultrassonografia visa obter imagens panorâmicas da glândula tireoide, bem como das artérias e veias cervicais, e eventuais linfonodos nas várias regiões que circundam a tireoide. Inicialmente, a ultrassonografia era realizada por meio de aparelhos com imagens de qualidade limitada, e praticamente de uso hospitalar. No início do século XXI, todavia, o uso de aparelhos portáteis, de alta definição, com imagens de alta qualidade, levou a ultrassonografia da tireoide ao consultório do endocrinologista. Notou-se que, nos vários congressos de endocrinologia, que se seguiram na última década, havia sempre um período dedicado ao ensino do uso da ultrassonografia no diagnóstico e seguimento de pacientes com doenças da tireoide, com uma expressiva participação dos endocrinologistas. A ultrassonografia da tireoide ultrapassou com várias vantagens o exame chamado de “Cintilografia de Tireoide”, realizado com iodo radioativo, pois oferecia novos dados de alterações tissulares, melhor definição da morfologia e características de eventuais nódulos tireoidianos, melhor definição da presença de gânglios linfáticos no pescoço, relacionados às doenças da tireoide.Com o passar do tempo, verificou-se a necessidade de classificar os nódulos da tireoide, de acordo com o seu risco de malignidade. Dessa forma, o Dr. Tomimori e colaboradores apresentaram uma classificação dos nódulos tireoidianos, onde todos os tipos de nódulos foram classificados em 4 grupos. Os nódulos agrupados no grupo I e II foram considerados de baixo risco de malignidade, ou seja, quase sempre benignos, enquanto os nódulos agrupados no grupo III foram considerados indeterminados, ou seja, aqueles sem características típicas de benignidade, porém com baixo risco de câncer. Os nódulos agrupados no grupo IV foram considerados com alto risco de câncer.Essa classificação não seria, todavia, suficiente para se chegar a um diagnóstico seguro e definitivo. Nódulos classificados como III e IV devem ser submetidos à biópsia, para obter um diagnóstico muito mais seguro e definitivo. A ultrassonografia da tireoide pode ser indicado também para o diagnóstico das doenças inflamatórias da glândula tireoide. Essa inflamação é muito comum e tem origem autoimune, isto é, provocada pela ação dos anticorpos produzidos pelo próprio paciente, que agridem a glândula tireoide. Com o tratamento, existe geralmente redução do volume da glândula tireoide previamente inflamada, e declínio lento, mas progressivo dos anticorpos contra a glândula tireoide. No início do inverno, é relativamente comum surgir a tireoidite subaguda, uma infecção da tireoide causada por vírus. A ultrassonografia mostra com detalhes o local da inflamação dentro da glândula, e a melhora progressiva após o tratamento. O tratamento do câncer da tireoide é feita pela cirurgia, com a retirada da glândula, e muitas vezes com o tratamento complementar com iodo radioativo. O seguimento desses pacientes deve ser feito periodicamente, para diagnosticar uma eventual recidiva da doença. Esse controle deve ser feito através de exames de sangue e a ultrassonografia do pescoço.Concluindo, hoje em dia, não se pode prescindir do estudo ultrassonográfico da tireoide e do pescoço nos pacientes portadores de doenças da glândula tireoide. Palavras chaves: ultrassonografia, classificação de nódulos, câncer da tireoide.
Source: Indatir