O
HIPOTIROIDISMO CONGÊNITO
O Hipotiroidismo Congênito (falta de função da glândula
tiróide) incide, em média, em 1 recém-nascido em cada
grupo de 3400 nascidos vivos.
Baseando-se nesta incidência , cerca de 900 a 1200 recém-nascidos
(RN) irão apresentar esta grave deficiência da
tiróide, por cada ano, no conjunto das crianças nascidas
no Brasil.
Se não houver imediato diagnóstico (até 28 dias) e tratamento
rápido (com comprimido diário de tiroxina), a criança
corre o sério risco de ficar com seqüelas conduzindo a
um grau variável de retardo mental ( tanto maior o tempo
levado para se realizar o teste
do pezinho tardio será o tratamento).
Portanto, é imperativo que se detecte qual RN apresenta
deficiência da tiróide.
O método laboratorial que é usado chama-se (Teste do Pezinho),
que consiste na coleta de gotas de sangue obtidas do calcanhar
da criança, no terceiro ao sétimo dia de vida.( geralmente
no 5 dia )
As gotas de sangue são absorvidas em papel especial e
enviadas ao Laboratório de Referência de cada Estado (alguns,
como São Paulo, possuem mais de um laboratório).
Em casos suspeitos, a mãe e a criança são reconvocadas
para novo teste confirmatório e a terapêutica é iniciada.
Para discutir os problemas e alogística de se atingir
100% de todos os RN do Brasil, realizou-se o - Seminário
sobre Hipotiroidismo Congênito no Brasil: Como
era, Como estamos, Para onde vamos, reunindo cerca
de 190 profissionais de saúde, no Hotel Unique, em São
Paulo, no dia 02 de agosto de 2003.
Algumas decisões tomadas neste seminário podem ser anunciadas,
baseadas nos seguintes dados:
O tempo decorrido desde o “Teste do Pezinho” e o efetivo
início do tratamento é muito longo em vários dos Serviços
Estaduais de Referência, chegando a mais de 40 dias.
Foram realizadas várias sugestões para se abreviar este
prazo como: melhorar o serviço de busca da mãe e RN (
recém nascido ), diminuir o número de dias para
realização e expedição de resultados, agilizar os testes
confirmatórios, informar os Centros de Saúde Municipais
da urgência em enviar o material ao Laboratório.
Por outro lado, o consenso dos especialistas, indica que
os RN com altos níveis de TSH indicativos de hipotiroidismo
( maior que 50uU/mL ) devem ser tratados antes dos testes
confirmatórios, para se obter o melhor resultado possível
na área neurológica e psicológica.
Embora o SUS tenha se comprometido a fornecer o medicamento
(tiroxina), na maioria dos Serviços de Referência, a família
do RN afetado é que tem o ônus de comprar o remédio.
Em muitos municípios, o serviço local (municipal) de saúde
fornece a tiroxina.
O consenso é que o SUS deveria ter o medicamento disponível
para todos os RN que o necessitem.
Notou-se que o Norte e o Nordeste apresentam maiores dificuldades
para o efetivo diagnóstico do Hipotiroidismo Congênito
no RN: o diagnóstico só é feito em 10 a 20% dos RN da
região Norte e em 25 a 50% dos RN da região Nordeste.
Uma boa sugestão desenvolvida pela APAE de São
Paulo, é convocar os Cartórios de Registro Civil a serem
“agentes não oficiais” do controle do Teste do Pezinho.
Os oficiais de Registro Civil ao registrar o RN, perguntariam
se o pai/mãe já teriam realizado o Teste do Pezinho no
centro de saúde e/ou Hospital.
Em casos de resposta negativa, a criança e os responsáveis
seriam encaminhados para o centro de saúde mais próximo.
Discutiu-se muito o seguimento adequado das crianças diagnosticadas
com Hipotiroidismo. Terão que ter assistência médica contínua
até a idade adulta, com medicação adequada e exames periódicos.
Recomenda-se exames psicológicos e atenção do médico ao
crescimento adequado.
Discutiu-se igualmente a necessidade de se fazer o diagnóstico
da CAUSA (etiologia) do Hipotiroidismo, quando a criança
completar o terceiro ano devida. Seminário concluiu que
o objetivo maior, no momento, é incluir os 15-20% de RN
que não têm acesso ao Teste do Pezinho no Brasil.
O Poder Público, bem como a iniciativa privada, através
de uma ONG como o Instituto da Tiróide, podem ajudar (e
muito) a realizar este objetivo.
Informação ainda é o melhor remédio:
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Não deixe de ver a cartilha
ilustrada |
Prof. Dr. Geraldo Medeiros-Neto
Professor do Depto de Clínica Médica (Endocrinologia)
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Presidente do Instituto da Tiróide