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NÓDULOS
TIROIDEANOS
Todos os nódulos são perigosos ?
Esta é a pergunta mais freqüentemente ouvida quando o (a)
paciente descobre que o seu médico verificou que existe um
nódulo na tiróide e que o exame de ultra sonografia confirmou
o fato. Vamos, em seguida, dar alguns dados que ajudam a responder
a pergunta que encabeça este texto.
O câncer de tiróide é muito comum ?
Na maioria dos países onde existe estatísticas válidas e atualizadas
o câncer de tiróide é encontrado em cerca de 1 a 2% dos adultos
(> 16 anos).
Nos Estados Unidos o número de casos novos em 2001atingiu
22.000 pessoas com aproximadamente 1800 mortes por ano devido
a esta moléstia.
A forma mais comum (80%) é o carcinoma papilífero que é de
evolução lenta e cujo tratamento é altamente eficaz quando
detectado precocemente. Cerca de 15% dos pacientes apresentam
o chamado carcinoma folicular que, igualmente, é de evolução
lenta mas pode se espalhar pelo corpo (metástases).
Dois outros tipos de câncer da tiróide (anaplásico e o carcinoma
medular) são mais agressivos e potencialmente mais perigosos.(
cerca de 5%)
Quem poderia estar sujeito a apresentar Câncer de Tiróide
?
A resposta é óbvia: qualquer ser humano adulto pode apresentar
câncer de tiróide.
As crianças e adolescentes raramente apresentam este tipo
de tumor, exceto quando recebem radiação (radioatividade externa)
na região do pescoço.
Durante as décadas de 1920 até 1960 era comum a radioterapia
do timo (glândula que fica aumentada em crianças e regride
espontaneamente), radioterapia de amídalas, para acne e outras
indicações. Naquela época os médicos achavam que esta forma
de tratamento era segura.
No entanto verificou-se, mais tarde, que 40% das crianças
e adolescentes submetidos a esta radioterapia apresentavam,
na idade adulta, nódulos na tiróide. Em grande parte
dos casos estes nódulos eram malignos.
Na população adulta, os mais jovens (ao redor dos 20 anos)
e os idosos (mais de 50 anos) estão mais sujeitos a ter câncer
de tiróide, se aparecer nódulo na tiróide. Pode-se, também,
afirmar que a probabilidade de um nódulo da tiróide albergar
um câncer é mais elevada no homem, comparativamente à mulher.
Que história é esta de nódulo frio e nódulo quente ?
Os nódulos da tiróide não funcionam como o tecido tiroidiano
normal. Quando se administra uma substância radioativa (como
iodo radioativo) os aparelhos apropriados (gama câmera) mostram
o contorno, o tratamento e a capacidade do nódulo absorver
o iodo radioativo. Quando o nódulo é capaz de concentrar de
forma eficaz maior quantidade do elemento radioativo, comparativamente
ao tecido normal, é chamado de nódulo “quente”, os quais são
benignos (constituem 10% dos nódulos). Cerca de 90% dos nódulos
da tiróide são incapazes de absorver a substância radioativa
(iodo) e comparativamente ao tecido normal, apresentam-se
“frios”, isto é, com pouca radioatividade. A estatística mostra
que cerca de 10-14% destes nódulos são cancerosos.
Como os médicos diagnosticam o câncer da tiróide ?
Vários testes são usados mas os principais são:
Iodo radioativo: já foi muito usado para verificar se o nódulo
é “quente” ou “frio”.
A validade deste teste é para nódulos tiroideos relativamente
grandes (>2cm). Ultra sonografia do pescoço está cada vez
mais empregada pela facilidade do exame, pelo resultado imediato
e pela enorme quantidade de informações que o médico pode
obter.
O princípio é fácil de entender: o médico passa no pescoço
uma geléia para facilitar o contato da pele com o transdutor
(que emite sons de elevada freqüência).
As ondas sonoras refletem-se nas estruturas do pescoço e a
imagem é vista na tela de um aparelho tipo televisão.
A ultra sonografia permite verificar se o nódulo é sólido
ou cístico (cheio de líquido), se tem bordas definidas ou
borradas, se tem calcificações (depósito de cálcio) ou não,
se está aderente a músculo, traquéia, vasos, etc.
Os nódulos císticos raramente são cancerosos. No caso de nódulos
sólidos existem várias características que tornam mais suspeito
e o médico poderá indicar ou não o exame seguinte.
O que é aspiração de células do nódulo mediante
agulha ?
Parece um exame doloroso, causando receio ao (a) paciente.
Mas não é.
A pele do pescoço é pouco enervada e, comparativamente à ponta
dos dedos por exemplo, é muito mais sensível à dor.
Uma agulha fina e siliconizada, acoplada à seringa, é inserida
no nódulo (sob controle de ultrasom) e as células aspiradas
são examinadas no microscópio. Cerca de 20% dos nódulos sólidos
podem ser malignos, após o exame das células.
Combinando o exame ultrasonográfico e o citológico (células)
os médicos podem chegar a 90-95% de certeza se o nódulo é
benigno ou maligno.
Como os nódulos são tratados ?
Quando os exames confirmam que o nódulo é benigno o médico
pode indicar tratamento com pílula diária de tiroxina (hormônio
da tiróide).
Este tratamento contínuo pode reduzir o volume do nódulo (em
50% dos casos) ou fazer o tratamento preventivo de aparecimento
de novos nódulos.
Quando o nódulo continua crescendo ou quando o exame das células
é considerado suspeito para câncer, deve-se realizar a operação.
A cirurgia também é indicada por sintomas compressivos no
pescoço e por motivos estéticos, nódulo visível a olho nu
no pescoço do(a) paciente.
Nódulos de conteúdo líquido (cistos) que se refazem após repetidos
esvaziamentos com agulha fina guiada por ultra sonografia,
também têm indicação de cirurgia.
A técnica de injeção de etanol nestes cistos, após o esvaziamento
do conteúdo líquido destes nódulos, vem reduzindo acentuadamente
a necessidade de cirurgia nestes nódulos.
O etanol diminui bastante a chance de que o líquido se refaça
no interior do nódulo.
Quando os testes indicam que o nódulo seja ou possa ser maligno,
o médico recomendará cirurgia (situações especiais como gravidez
por exemplo, deve ser discutida com o seu médico).
O objetivo da cirurgia é remover o máximo possível de tecido
canceroso. Se o câncer foi diagnosticado em um estágio precoce,
no qual ainda é confinado à glândula tiróide, a cirurgia é
quase sempre curativa.
No carcinoma papilífero, geralmente os pacientes ficam bem
após a cirurgia, mesmo que o câncer tenha se espalhado para
gânglios linfáticos no pescoço.
O cirurgião inicia a cirurgia removendo um lobo tiroidiano.
A análise por congelação deste tecido tiroidiano, dirá ao
cirurgião se no lobo removido havia tecido benigno ou maligno.
Sendo maligno, toda ou quase toda a tiróide será removida.
Se o câncer já tiver se espalhado, os gânglios linfáticos
do pescoço serão removidos também.
Além disto, em seis semanas após a cirurgia o(a) paciente
poderá ser submetido(a) a radioiodoterapia, para destruir
qualquer tecido canceroso que possa ter ficado remanescente.
O que acontece após a cirurgia ?
Após a cirurgia, o(a) paciente deve ficar no hospital por
2 dias. Ele(a) também será dispensado(a) do trabalho (de 1
a 4 semanas, conforme o grau de esforço físico do trabalho).
A maioria dos pacientes não apresentam problemas com a fala
ou deglutição após a cirurgia, e a dor pós operatória é mínima.
Em pacientes com câncer de tiróide, uma cintilografia será
feita após 6 semanas para detectar tecido tiroideano remanescente
que necessite ser tratado com radioiodoterapia.
Todos os pacientes com câncer de tiróide precisarão tomar
pílulas de hormônio tiroideano (tiroxina) a vida inteira.
Alguns pacientes que tiveram nódulos benignos removidos cirurgicamente,
também precisarão tomar tiroxina, a fim de prevenir o aparecimento
de novos nódulos na porção da glândula tiróide remanescente.
Todos os nódulos de tiróide são câncer ?
Não.
Acima foi explicado como os médicos fazem para descobrir se
um nódulo é maligno ou benigno. A seguir as chances estatísticas
de um nódulo ser maligno serão detalhadas.
Nódulos de tiróide ocorrem em 4 a 7% da população.
Cerca de 85% destes nódulos são benignos e geralmente não
precisam ser retirados cirurgicamente.
Os nódulos malignos representam 5 a 15% de todos os nódulos
de tiróide.

- Ultra-som da tireóide
mostrando um nódulo no lobo esquerdo
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