Consumo de Sal

O sal consumido pela população brasileira: Estaríamos com elevado consumo individual de sal?Fonte da Imagem: François RauxO sal consumido pela população brasileira é, em sua totalidade, de origem marinha, isto é, o sal é obtido de um processo de evaporação da água do mar sob ação solar até que se formem os cristais de cloreto de sódio (35% de sódio e 65% de cloreto de sódio). Desde 1995, por lei federal, o sal é iodado, isto é, acrescenta-se iodato de potássio ao sal processado pela indústria salineira. A proporção de iodo no sal, consumido pela população, pode variar de 15 a 45 mg de iodato de potássio por kg de sal. As indústrias salineiras, em média, colocam ao redor de 35 mg de iodato de potássio a cada kg de sal para consumo populacional. Em uma reunião recente do Ministério da Saúde com cientistas preocupados pela possível redução do consumo individual de sal, notou-se que as autoridades em saúde pública pretendem reduzir em futuro próximo o consumo de sal individual para sete gramas de sal (por dia). Com isso, também estaríamos reduzindo a quantidade de iodo, a qual, como já dissemos, é veiculada pelo sal marinho. No estado do Espírito Santo, recentemente, foi aprovada lei que proíbe o uso de saleiros e saches de sal, nas mesas de bares e restaurantes.O grande problema que temos que enfrentar é que o Brasil é um país de dimensões continentais. Assim, o consumo de sal da região Norte e Nordeste com temperaturas elevadas e habitualidade de consumo elevado de sal nutricional seria sempre maior que o consumo de sal de regiões temperadas como o Sul e o Sudeste do Brasil. Desta forma, torna-se difícil estabelecer o número em gramas de sal a ser usado por população nordestina comparativamente àquela estipulada para um gaúcho, catarinense, paranaense, ou mesmo paulistas.Teríamos, portanto, que chegar a um bom senso, isto é, uma possível diminuição do sal em todo Brasil, mas aceitando-se as variações regionais peculiares às regiões do Norte, Nordeste, Minas e Centro Oeste.   Salinas do Rio Grande do Norte Outro problema da redução do consumo de sal é que, dificilmente, se conseguiria estabelecer um diploma legal (ou seja, uma disposição legal) que obrigue o menor consumo de sal igual para todas as regiões do nosso Brasil. Além disso, se diminuirmos o consumo de sal, teríamos que, forçosamente, reduzir o consumo de iodo. Tal fato não é desejável uma vez que consumo relativamente baixo de iodo pode conduzir a doenças da glândula tireoide. É importante ressaltar que as grávidas devem sempre receber iodo durante a gravidez.Concluindo, verifica-se que embora a redução individual do consumo de sal seja elogiável, a baixa do percentual de iodo pela população com menor consumo de sal seria de todo indesejável. Até o presente momento, as autoridades sanitárias, bem como os cientistas, especialistas em doenças da tireoide, ainda não chegaram a um acordo que levasse a uma legislação compatível com as enormes diferenças regionais que existem em nosso país.
Source: Indatir