Nódulos na tireoide podem ser malignos ?

Dúvidas frequentes: Nódulos na tireoide? Podem ser malignos? Qual é o melhor modo de tratá-los? Nos países em que o iodo (geralmente por sal iodado) é consumido por todos os indivíduos, a presença de nódulos na tireoide ocorre em cerca de 3 a 5% da população, aumentando progressivamente com a idade. Além de ser mais comum no sexo feminino do que no masculino. Outro fator muito importante é o familiar, uma vez que os nódulos podem estar presentes também em outros membros da família. Alguns países, como Itália e Estados Unidos, oferecem aos consumidores a opção do sal iodado, isto é, existe no comércio à disposição do cliente o sal iodado e o sal sem iodo. Nestes países a proporção de nódulos na tireoide pode ser maior relativamente a outros países. O melhor modo de confirmar se o paciente tem nódulos é por método de imagem, tal como a ultrassonografia da tireoide. Nesse exame, facilmente executado em todo território brasileiro, pode-se observar quantos nódulos estão presentes, qual é o tamanho desses nódulos e se algum nódulo apresenta características de ser potencialmente maligno. É muito importante, após o ultrassom que se realiza a punção do nódulo suspeito e o exame das células que são aspiradas. Esse exame pode indicar se o nódulo é benigno, potencialmente maligno ou se já apresenta características de malignidade. Nos casos em que o nódulo é potencialmente maligno ou maligno, o tratamento indicado é a retirada cirúrgica total da tireoide. Já nos casos onde é descartada a malignidade do nódulo, pode-se optar pelo tratamento clínico, entre eles estão:1°- Tratamento contínuo com comprimidos de L-tiroxina de forma a manter um nível do TSH circulante em níveis bastante baixos.2°- Tratar o nódulo com aplicação de laser veiculado por sistema que entrega diretamente a energia do laser ao nódulo. Esta forma de terapia (ainda não disponível no Brasil) é bastante promissora, pois cerca de 90% dos nódulos tratados diminuem dramaticamente de tamanho, deixando de ser uma preocupação ao paciente. 3°- Tratar o bócio multinodular com iodo radioativo. Essa modalidade de tratamento é bastante antiga e utilizada em alguns países europeus desde a década de 70. Trabalhos recentes de um grupo da Dinamarca (Figura 1) estudaram um grupo de pacientes tratado somente com o iodo radioativo, comparativamente a outros pacientes nos quais a tireoide foi previamente estimulada com o estimulador normal da tireoide, isto é, TSH recombinante. O tratamento com TSH recombinante faz com que todos os nódulos e tecido tireoidiano pertinente sejam estimulados a captar mais iodo radioativo. Desta forma, o iodo radioativo administrado, além de ser melhor e mais eficientemente captado, permanece no tecido tireoidiano e nos nódulos por mais tempo, exercendo sua função destruidora. No gráfico que acompanha este artigo, verifica-se que a diminuição do volume do bócio multinodular chega a 80% nos primeiros 6 meses a 1 ano. Esse tratamento é mais vantajoso em pacientes que não querem realizar a cirurgia, possuem outras doenças que não permitem o uso de iodo radioativo, ou simplesmente porque esse tipo de tratamento é relativamente rápido e pouco dispendioso em relação ao tratamento cirúrgico. No entanto, esse tratamento encontra-se apenas disponível nos grandes centros médicos em nosso Brasil. Figura 1 – Notar que os pacientes que receberam iodo radioativo após terem sido estimulados por TSH recombinante apresentam nítida diminuição do volume da glândula tireoide em comparação com o grupo de pacientes que apenas recebeu o iodo radioativo.(Fast e cols., J Clin Endocrinol Metab 97:2653-60, 2012, ref. 188)Resumindo, o tratamento do bócio multinodular pode ser clínico, mas frequentemente, o cirurgião tem o privilégio de tratar a maior parte dos pacientes. O tratamento com iodo radioativo precedido pelo estímulo de TSH recombinante é o melhor tratamento disponível para os que não desejam a cirurgia.
Source: Indatir