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TRATAMENTO
COM HORMÔNIO DA TIRÓIDE (L-TIROXINA)
Esta folheto é destinado a pessoas que são tratadas
com hormônios da tiróide. As razões do tratamento podem
ser a atividade reduzida da tiróide (hipotiroidismo) ou
casos em que é necessário controlar o crescimento da glândula
aumentada (bócio) com ou sem a presença de nódulos (tumores).
Indivíduos
que tomam hormônio por ter apresentado câncer da glândula
tiróide também se beneficiarão com as informações aqui contidas.
Se este é o seu caso, o médico pode estar receitando o hormônio
para reduzir o risco de desenvolver novo tumor, ou estar
tratando a hipoatividade da tiróide resultante da cirurgia.
Em qualquer situação, você deve conversar com seu médico
a respeito do tratamento, para saber as razões de tomar
hormônio de tiróide, e quanto tempo durará o tratamento.
Esperamos que você encontre neste folheto ajuda para compreender
esta forma de terapêutica.
Assim como seu médico, nós queremos que você saiba porque
está sendo tratado(a), a importância de tomar a medicação
regularmente e com confiança, e o que você espera do tratamento.
A tiroxina pode, também, ser usada para reduzir o tamanho
de nódulos na tiróide ou, eventualmente, impedir que novos
nódulos venham a aparecer. Os nódulos na tiróide podem ser
detectados no exame clínico ou pela ultrasonografia (Figura
1) ou por exame com iodo radioativo (Figura 2).
Como seu médico deve escolher a dosagem apropriada de hormônio
da tiróide?
No passado não existiam testes laboratoriais confiáveis
para auxiliar seu médico a escolher a dose apropriada de
hormônio da tiróide. Então, deveria se basear na informação
dada pelos pacientes, que diziam quando se sentiam bem ou
"normais" com o remédio utilizado. Após algum tempo de tratamento
as observações mais importantes eram a melhora da nutrição
dos cabelos e pele, normalização do pulso e reflexos, ou
diminuição, e até desaparecimento de bócio ou nódulos. Infelizmente,
este guia para terapêutica não é sempre suficientemente
preciso para assegurar a correta dosagem de hormônio da
tiróide.
Nos dias atuais a incerteza na terapêutica tiroidiana tem
sido eliminada pelo desenvolvimento de testes laboratoriais
precisos e sensíveis que medem níveis sanguíneos de importantes
hormônios relacionados à atividade da glândula tiróide.
Como o médico avalia seu tratamento?
Quando você visita seu médico para um "check-up" sobre o
tratamento com hormônio de tiróide, espera ser questionado
sobre as possíveis mudanças em seus sintomas. Sua tiróide
será examinada e o médico poderá também recomendar testes
do sangue para medir a concentração de hormônios da tiróide,
assim como o nível de TSH (hormônio estimulador da tiróide).
O hormônio estimulante da tiróide (TSH) é produzido pela
glândula hipófise, tendo ação importante no controle da
função da tiróide. A hipófise regula a tiróide da mesma
maneira que um termostato localizado na parede de sua sala
regula seu aparelho de ar condicionado.
Se a hipófise recebe a "mensagem" que não há hormônio da
tiróide suficiente no sangue, promove a liberação de TSH,
que estimula a glândula para aumentar a produção e liberação
de hormônio da tiróide no sangue, até atingir quantidade
suficiente na corrente sanguínea. Nesse momento então a
hipófise diminui a produção de TSH. Se há hormônio da tiróide
suficiente no organismo, como ocorre em hiperatividade da
glândula (hipertiroidismo) ou em uso de doses altas de medicação
com hormônio da tiróide, a hipófise interrompe a produção
de TSH, e os níveis dosados na corrente sanguínea diminuem
sensivelmente.
Hormônio da tiróide é geralmente prescrito como tiroxina
sintética pura (T4). A tiróide animal dessecada (forma antiga
de terapia tiroidiana) é raramente usada hoje em dia, por
conter T3, hormônio tiroidiano de ação rápida que produz
níveis sanguíneos mais variáveis que a tiroxina pura, havendo
também potência diferente em cada lote, já que é originada
de glândulas tiróides animais, com conteúdo hormonal variável.
É sempre recomendável substituir a medicação à base de tiróide
dessecada por tiroxina sintética.
Não há evidência de que a tiróide dessecada, obtida de glândulas
de animais (preparado "biológico"), tenha qualquer vantagem
sobre a tiroxina sintética. Doses gradualmente maiores de
tiroxina são dadas até que níveis de T4 e TSH atinjam valores
normais. Em pacientes idosos ou que apresentam insuficiência
cardíaca, é extremamente importante iniciar o tratamento
com doses baixas para que o organismo se adapte aos poucos,
e atinja níveis hormonais tiroidianos normais.
Caso seu tratamento seja decorrente de hipotiroidismo, você
deverá ser tratado com doses gradualmente maiores de hormônio
tiroidiano, até sentir-se bem, e atingir níveis normais
de hormônios de tiróide e TSH. Muitos médicos avaliam suas
pacientes a cada três meses, para terem certeza de que os
níveis hormonais tiroidianos permanecem normais. Para alguns
pacientes, que apresentam falência tiroidiana progressiva,
a dosagem hormonal deve ser aumentada aos poucos, para evitar
que a tiróide continue a funcionar "lentamente".
Em casos de câncer de tiróide, deve ser receitado hormônio
tiroidiano suficiente para reduzir drasticamente os níveis
de TSH no sangue, pois a presença de TSH pode estimular
o crescimento e a disseminação do tumor. Nesses casos testes
sanguíneos periódicos podem ser realizados, para assegurar
que este objetivo do tratamento está sendo atingido.
Há problemas em tomar muito ou pouco hormônio da tiróide?
Se você está tratando hipotiroidismo, e não está tomando
hormônio tiroidiano suficiente, alguns dos sintomas como
lentidão, raciocínio lento, memória fraca, sensação de frio
ou câimbras podem persistir. Além disso, você pode ter problemas
com elevação da taxa sangüínea de colesterol e conseqüente
endurecimento das artérias (arteriosclerose). Se a dose
de hormônio de tiróide for muito alta, podem aparecer sintomas
que simulam hiperatividade de glândula, incluindo nervosismo,
palpitações, insônia e tremores.
É também possível que excesso de hormônio da tiróide por
muitos anos, aumente o risco de arritimias cardíacas ou
outros distúrbios do coração, caso já exista doença cardíaca
de base. Pode ocorrer também perda excessiva de cálcio dos
ossos, aumentando o risco de osteoporose e fraturas ósseas.
O que você deve fazer...
(1). Visite seu médico regularmente e compreenda o objetivo
de seu tratamento.
(2). Tome o medicamento indicado diariamente. É mais fácil
lembrar, se tomá-lo sempre no mesmo horário, logo após acordar,
em jejum mesmo.
(3). Se o médico iniciar novo tratamento para doença não
tiroidiana, pergunte se a dose de hormônio da tiróide deve
ser modificada. Também avise seu médico se engravidar, pois
a dose poderá ser modificada na gestação.
(4). Conte a seu médico todos os remédios que está tomando,
pois muitos podem interferir na absorção do hormônio da
tiróide. Por exemplo, comprimidos de ferro e cálcio podem
modificar a absorção de hormônio da tiróide se forem tomados
ao mesmo tempo.
(5). Converse com seu médico sobre novos sintomas, ou se
já passou mais de um ano desde a última avaliação. Se mudar
de médico avise o novo profissional sobre seu problema de
tiróide e o tratamento que vem sendo seguido.
Resumo
A maioria dos médicos indica T4 puro como melhor forma de
tratamento. A dose deve ser avaliada com dosagens de TSH
e hormônios de tiróide. Não faça ajustes na dose, nem mude
de marca ou tipo de tratamento sem consultar seu médico.
Lembre-se que a maioria dos tratamentos é longo, e o controle
com exames laboratoriais de TSH e T4 deve ser feito no mínimo
3 vezes por ano para confirmação da dose correta para seu
tratamento.
Figura
1: Nódulo sólido, com limites bem definidos, no lobo direito
da glândula tiróide (exame ultrasonográfico)
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Paciente
com adenoma
tóxico e hipertireoidismo
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Cintilografia
e mapa da região
cervical após iodo radioativo
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Notar
a concentração do traçador no adenoma tóxico
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Figura
2: Nódulo de 6 cm, esférico, facilmente visível ao exame clínico.
Após iodo radioativo o nódulo mostra captação elevada (nódulo
quente) e pode levar a Hipotiroidismo
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Fonte:
Prof. Dr. Geraldo Medeiros Neto - Nov 2004
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