logo.gif  
nome.gif barra.gif
Novos remédios para o diabético

Há uma tríade de sinais que indica a diabetes: pacientes que excretam muito açúcar na urina (glicosuria), bebem sempre muita água (polidipsia) e comem sem parar (polifagia). Até a descoberta da insulina, hormônio secretado pelas células beta do pâncreas, a fisiopatologia, isto é, o exato mecanismo da excessiva concentração de açúcar no sangue, era ainda pouco conhecido. Mas logo os médicos verificaram que havia dois tipos diferentes de diabetes:

Diabetes tipo 1 - Ela é causada por ausência total de insulina na circulação e, frequentemente, devido à extensa destruição das células beta pancreáticas capazes de "fabricar insulina". Atinge crianças, adolescentes e adultos jovens e o problema somente pode ser corrigido por meio de injeções de insulina.

Diabetes tipo 2 - É o mais comum (cerca de 85% dos pacientes) é surge do fato de que o paciente, geralmente obeso e de meia-idade, possui resistência à ação da insulina. Essa resistência se associa ou não à menor secreção de insulina pelas células Beta do pâncreas.

O tratamento básico é reduzir o peso, aumentar exercícios, e tomar remédios que diminuam a resistência à insulina conjuntamente com outros que elevam a produção da insulina pelo pâncreas.

Medicamentos muito usados no diabetes tipo 2

Na primeira geração de medicamentos usados para o diabetes tipo 2, eles eram chamados, genericamente de Sulfanilureas. Fundamentalmente eram indutoras de maior secreção de insulina pelo pâncreas, mas provocavam nos paciente alguns efeitos colaterais como a hipoglicemia, isto é, havia excesso de insulina circulante e o açúcar sanguíneo (glicose) rapidamente caía abaixo do valor mínimo aceitável.

O paciente suava frio, sentia sensação de desmaio, intensa cefaleia, progressiva sonolência e devia ser prontamente socorrido com líquidos contendo açúcar, alimentos doces, balas e confeitos, para se elevar novamente o nível de glicose na circulação. Nos últimos 10-15 anos, a indústria farmacêutica tornou possíveis 4 ou 5 novos medicamentos, que têm uma ação mais curta nas células do pâncreas, no sentido de elevar a insulina. Portanto a ideia básica é de administrar o comprimido junto às refeições principais, isto é, antes de iniciar o café da manhã, o almoço e o jantar. São chamadas de Glitinidas, cujo principal objetivo é normalizar o açúcar do sangue que se eleva a cada refeição.

A desvantagem é que o paciente teria que tomar três comprimidos por dia junto com a comida. Sabe-se que à medida que aumenta o número de vezes em que um paciente é instruído para tomar determinado medicamento, maior é a falha, o esquecimento, a falta de aderência à terapêutica, enfim, o esquema pode falhar se não houver total cooperação do paciente.

Veio, então, a ideia de usar novos medicamentos antidiabéticos, sempre estimuladores de maior produção de insulina pelo pâncreas, mas que tem ação prolongada, isto é, são de farmacotécnica apurada, de absorção lenta e progressiva, e muitas vezes basta um comprimido por dia para se ter controle da glicemia.

É óbvio que este tipo de medicamento é o preferido pelos pacientes. As preparações medicamentosas destes produtos de segunda geração dificilmente induzem hipoglicemia, porque sua absorção é lenta e o efeito muito prolongado, evitando-se a "falta de glicose no sangue".

Medicamentos que reduzem a resistência à insulina

A resistência à ação da insulina é muito comum no diabetes tipo 2. Um exemplo: o músculo para poder se contrair e executar uma ordem de andar, subir escadas, fazer algum exercício precisa de "combustível".

Apesar do músculo ser do tipo Flex (comparável aos carros que usam 2 ou 3 combustíveis), ele gosta mesmo de glicose. Mas a glicose só entra no músculo com o auxílio da insulina. Quando o músculo está "infiltrado" de gordura - o que é comum no obeso - a insulina tem dificuldade de fazer a glicose entrar no músculo e, portanto, "sobra glicose" na circulação (diabetes 2).

A indústria farmacêutica pesquisou e encontrou as chamadas biguanidas e outras que levam a sigla de TZD. As biguanidas (metformina) reduzem a produção de glicose do fígado e aumentam a entrada de glicose no músculo, diminuindo a resistência à ação de insulina. São muito usadas, principalmente em diabetes tipo 2 com obesidade, pois têm a vantagem de induzir perda de peso.

Outros medicamentos novos para o diabético

Uma ideia interessante é diminuir a entrada de alimentos ricos em açúcar, após ingeridos, no tubo gastrointestinal.
Os alimentos ricos em amido, também, denominados carboidratos, têm que ser digeridos por meio de uma enzima intestinal. A substância chamada acarbose inibe esta enzima e o carboidrato não entra pela via normal intestinal, sendo excretado. Parece um sonho para as pessoas viciadas em doces e chocolates mas, infelizmente, a acarbose não consegue inibir completamente a enzima "digestora" de carboidratos e acima de certo nível de ingestão, o carboidrato é absorvido.

Muito recentemente descobriu-se que o intestino delgado produz "incretinas". São produtos que tem siglas tal como GLP-1 que, quando o alimento está passando pelo intestino delgado, são secretados e induzem o pâncreas a fazer mais insulina. Mas o GLP-1 tem vida curta (de alguns minutos).

O novo remédio lançado para diabetes faz com que o GLP-1 permaneça em circulação, impedindo-o de ser degradado. O tempo mais longo de ação faz com que o GLP-1 estimule as células do pâncreas e mais insulina é secretada. O mesmo princípio é utilizado por uma preparação injetável que leva ao pâncreas o estímulo para fazer mais insulina.

Medicamentos naturais, ou fitoterápicos


É impressionante o número de diabéticos que indagam: "Doutor, não existe um medicamento natural para diabetes?" Claro que existe. Na Amazônia a planta chamada de Mircia possui nas suas raízes, princípio ativo que tem ação de potencializar a insulina interna, baixando a glicose. A canela tem um princípio ativo com ação semelhante à insulina e é muito utilizada na Índia e no Paquistão. Mas o melhor é deixar a decisão de sua medicação e o controle perfeito do diabetes nas mãos do seu médico.

Por Geraldo Medeiros - 09-02-09

Fonte: VEJA ONLINE - fev 2009

 


logo_canada.gif
logo_ache.gif