logo.gif  
nome.gif barra.gif
Suplementação de iodo durante a gravidez

A glândula tireoide possui um sofisticado mecanismo de retirar minúsculas quantidades de iodo da circulação (captação de iodo) para iniciar os processos metabólicos de síntese de hormônios tireoideos. Estes hormônios são conhecidos por siglas T4 (tetra iodo tironina) e T3 (tri iodo tironina). O T4 possui quatro átomos de iodo enquanto o T3 tem apenas 3 átomos de iodo. A natureza da fisiologia tireoidea é tão engenhosa que quando o iodo nutricional é escasso (falta permanente de iodo na alimentação) a máquina tireoidea passa a produzir mais T3 (com três átomos de iodo) do que T4 (quatro átomos de iodo).

Desta forma a glândula tireoide economiza um átomo do escasso iodo que provem da alimentação e consegue manter o corpo em condições quase normais de metabolismo - mesmo com menos iodo. Por outro lado, a tireoide deve se preparar para enfrentar outros sistemas que também captam iodo: as glândulas salivares captam a substância e a lançam na saliva. Mas esta, quando deglutida o iodo volta a entrar no metabolismo interno.

Os rins são poderosos captadores de iodo e competem com a tireoide nesta atividade. Quando há deficiência crônica de iodo, a tireoide aumenta o seu poder de captação acima do normal para competir com o sistema renal que elimina o iodo através da urina.

Função da tireoide na gravidez

No início da gravidez a captação de iodo pelo sistema renal aumenta e ‘rouba’ da tireoide parte razoável do iodo necessário à função glandular de produzir os indispensáveis hormônios T3 e T4. Em reação, a tireoide eleva o seu poder de captação do precioso iodo, neutralizando, em parte, a perda renal de iodo. Mas o feto a partir da 12ª a 16ª semana de gestação entra neste esquema por iniciar a tireoide fetal a captar iodo.

Estudos recentes em tireoide fetal mostram que o sistema de captação de iodo é o primeiro mecanismo fisiológico a surgir na vida tireoidea fetal. Enfim, a partir da 16ª semana de vida intrauterina temos três sistemas lutando pelo escasso iodo na gestação: a tireoide materna, a tireoide fetal e o sistema renal.
É óbvio, que o período gestacional necessita de aporte maior de iodo para atender as necessidades da gestante e do feto.

Consequência da falta de iodo para o feto


A deficiência crônica de iodo afeta cerca de 2 bilhões de pessoas ou seja 30% da população mundial. em algumas áreas do planeta - África, Ásia, Indonésia e Leste Europeu - , a menos que haja suplementação de iodo por ação governamental, a criança irá receber muito pouco iodo na vida intrauterina.
Consequentemente a geração de hormônios da tireoide (T3 e T4) será insuficiente e o sistema neurológico fetal, muito sensível à falta de hormônios da tireoide, apresentará, na vida uterina e pós-natal, danos consideráveis em sua estrutura e possivelmente disfunção cerebral mínima. Estudos populacionais em mulheres em vida fértil, realizados em 2003-2004, nos Estados Unidos, mostrou que a excreção urinária de iodeto (que corresponde ao iodo ingerido) era de 128 microgramas de iodo por litro de urina, quando o recomendado seria de 250 microgramas de iodo/L de urina. No subgrupo, com baixa de ingestão de iodo, notou-se que 37% apresentavam ioduria abaixo de 100 mcg de iodo por litro de urina, o que indica carência de iodo para o binômio materno-fetal e risco neurológico para a futura criança na vida pós-natal.

As multivitaminas para as grávidas

Os pesquisadores foram mais além. Examinaram quase todos os produtos farmacêuticos tanto aqueles que necessitam prescrição para serem vendidos, como os que são adquiridos sem necessidade de receita. Do total de 127 tipos, 114 continham iodo e a maioria dos fabricantes indicava no rótulo ‘150 mcg de iodo por drágea’.

No entanto quando o teor de iodo foi medido por métodos analíticos de precisão, notou-se que o iodo, em média, não passava de 119 mcg / drágea, bem abaixo do exposto no rótulo. No Brasil os estudos realizados, recentemente, em escolares mostraram que cerca de 12% das crianças apresentavam excreção de iodo abaixo de 100 mcg de iodo por litro de urina.

Extrapolando para a população adulta poderíamos aceitar que 10% das mulheres em idade fértil teriam certa deficiência de iodo antes e durante a gravidez. Seria útil analisarmos a ioduria de mulheres em período gravídico para termos uma ideia mais precisa do que ocorre nas várias regiões do Brasil. Admite-se pelos inquéritos realizados no passado que as regiões mais pobres do país, Nordeste, Norte, Brasil Central, podem ter sub populações com baixa ingestão de iodo.

De qualquer forma a mensagem é bem clara: a grávida necessita de, pelo menos 250 mcg de iodo por dia para atender à sua tireoide e a manter a tireoide fetal em funcionamento desde a 16ª semana. O melhor e mais fácil caminho é proporcionar o binômio materno-fetal com o mínimo de 250 µg de iodo por dia. Para tanto, aconselha-se o uso de produtos manufaturados contendo o mínimo de 150 mcg de iodo por drágea.

Pesquisamos na internet e em livros de especialidades farmacêuticas e encontramos sete produtos multivitamínicos comumente receitados para grávidas. Dos 7 frascos seis indicavam no rótulo a presença de iodo na dose de 150 mcg por drágea. As grávidas, portanto, precisam ser orientadas a ingerir suplementação de iodo durante a gestação. Por Geraldo Medeiros

Por Geraldo Medeiros - 16-03-09

Fonte: VEJA ONLINE - mar 2009

 


logo_canada.gif
logo_ache.gif