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Tratamento da baixa estatura
A baixa estatura pode ser consequência de fatores intrauterinos.
Quando o feto não recebe nutrientes em volume e qualidade
adequada nasce com certo déficit de estatura. Para repor a
criança na sua curva normal de crescimento alguns endocrinologistas
pediátricos esperam a passagem da infância (até 3 - 4 anos)
para fase escolar (4 e mais anos).
É essencial saber que cada criança tem uma herança genética
que determina uma estatura final específica. O médico pode
estabelecer esta estatura final (chamada de estatura ALVO)
por meio de uma formula matemática na qual entra a estatura
do pai e da mãe. Outros parentes próximos têm pouca ou nenhuma
influência genética na estatura alvo. Não adianta dizer: o
avô é muito alto ou o tio materno tem mais de um 1.80m.
Repito: a estatura ALVO é determinada pelos pais, e com os
genes que eles transmitiram ao filho. Resumindo: o retardo
de crescimento intra-uterino e os fatores genéticos são importantes
fatores de baixa estatura.
Fatores ambientais são importantes
É obvio que as crianças que vivem sob constante e crônica
má nutrição protéico-calórica (pouca proteína, comida insuficiente)
não irão atingir o seu potencial genético de crescimento.
A estatura final também depende de boa alimentação (incluindo
aporte diário de proteínas de boa qualidade), ausência de
doenças infantis, que eram comuns mas hoje com vacinações
preventivas são raras, ausência de problemas respiratórios,
como bronquite asmática (as crianças com este problema pulmonar
crescem menos), e ausência de doença do fígado, como hepatite
C ou doença renal crônica.
Enfim ter saúde razoavelmente boa, alimentação sadia, boa
atividade esportiva (o exercício estimula o aparecimento do
hormônio de crescimento) e, essencialmente, ter sono profundo
e reparador por 9 a 11 horas todas as noites. Nestas condições
ambientais excelentes a criança atinge o seu potencial genético
e atinge a estatura alvo programada.
O problema de puberdade prematura
A puberdade prematura é muito mais comum nas meninas do que
nos meninos e cada vez mais vemos meninas de 8 anos já com
mamilos salientes, pelos na região genital e axilar, e corpinho
desenvolvido. A mãe precisa estar atenta a estes fenômenos
físicos, pois tais fatos são indicativos de que a menina pode
ter a primeira menstruação (menarca) muito cedo aos 9 ou 10
anos.
A menarca nessa idade 'fecha' as áreas de crescimento dos
ossos longos e interrompe o crescimento pelo alto nível de
hormônios femininos que são secretados no organismo. Há a
possibilidade de bloquear esta puberdade prematura por meio
de medicamentos. Resumidamente o medicamento usado irá 'envolver'
os ovários com uma camada protetora que faz com que estas
gônadas fiquem 'adormecidas', não avançando para dar início
à menstruação.
Mantém-se a criança por 2 a 3 anos sob tratamento e, a cada
ano, ela irá crescer 5 - 6 cm. Na idade que julgar apropriada
o médico suspende a medicação e a menarca ocorre normalmente,
sem nenhuma alteração imediata ou transtorno futuro (fertilidade,
hormônios femininos).
A falta relativa de GH pode ser tratada
A produção de GH (hormônio de crescimento) é contínua desde
a primeira infância.
Na baixa estatura chamada de 'constitucional' pode-se verificar,
por meio de testes, se a criança está com secreção de GH suficiente
para atingir a estatura final que lhe foi programada. O consenso
dos médicos indica que existe vantagem em tratar crianças
com baixa estatura com doses relativamente altas de GH, pois
ao fim do tratamento (após a puberdade completada) a estatura
final é mais elevada que as crianças que optaram por não serem
tratadas.
O problema é que o GH deve ser injetado, mas hoje existem
'canetas' que a própria criança pode aprender a manejar. As
'canetas' são ajustadas para a dose diária de GH recomendada
pelo médico e a criança aplica o GH com a caneta, à noite,
antes de dormir, com maior facilidade. O sacrifício vale a
pena, pois a estatura alvo é, freqüentemente, atingida.
É óbvio que fatores nutricionais devem ser fornecidos e exercícios
físicos são altamente recomendáveis.
Por Geraldo Medeiros - 13-04-09
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Fonte:
VEJA ONLINE - abr 2009
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