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A VIDA SEM TIRÓIDE
A glândula
tireóide é muito importante para uma vida saudável. A importância
dos hormônios produzidos por ela pode ser avaliada pelo
fato de que esta pequena estrutura situada na região cervical
anterior já começa a funcionar na 16ª semana de vida fetal.
Os hormônios produzidos pela glândula, conhecidos como tiroxina
(T4) e tri-iodo-tironina (T3), são essenciais para que o
feto tenha desenvolvimento adequado e, mais importante,
que o sistema cerebral tenha desenvolvimento e maturação
normais.
No recém-nascido e na criança os hormônios da tireóide
também propiciam a maturação do Sistema Nervoso Central
e contribuem para o crescimento somático. Se faltar hormônio
da tireóide o crescimento será afetado (retardo de crescimento)
e haverá sérias seqüelas neurológicas. Na vida adulta a
falta de tireóide tem conseqüências sérias. Ganho de peso,
inchaço, depressão, sensibilidade ao frio, metabolismo muito
lento, elevação do colesterol e derivados, queda de cabelo
e unhas fracas. Todo este quadro é denominado hipotireoidismo,
corrigido pelo uso constante de L-Tiroxina.
A glândula pode ser retirada por cirurgia Cerca de 30% da
população adulta pode ter um nódulo ou cisto na tireóide.
Com o uso cada vez mais freqüente de ultra-sonografia da
tireóide, o nódulo atualmente pode ser descoberto facilmente.
Em geral, em média 85% dos nódulos são benignos, mas 15%
podem ser malignos. Para saber mais a respeito do nódulo,
os médicos solicitam uma punção aspirativa com retirada
de células que são examinadas no microscópio. Este exame
pode indicar se o nódulo deve ser retirado por cirurgia.
Comprovada a presença de câncer de tireóide, toda a glândula
irá ser retirada e o paciente terá que tomar um comprimido
de L-Tiroxina para não apresentar hipotireoidismo. Em vários
países, os paciente que tiveram esse problema se organizaram
e formaram associações com a denominação "Viver sem tireóide",
com o objetivo de divulgar informações, esclarecer dúvidas,
ampliar o conhecimento sobre a tireóide e avaliar as conseqüências
de ficar, para sempre, sem a glândula.
As conseqüências de viver sem tireóide
O ato cirúrgico pode levar à lesão de pequenas glândulas
paratireóides (são quatro glândulas), que regulam o metabolismo
do cálcio na circulação e nos ossos. Em boa parte dos pacientes
operados existe queda do cálcio no sangue com sintomas de
formigamento, contração muscular e perda de cálcio nos ossos.
Pode ocorrer também uma certa rouquidão por lesão dos nervos
das cordas vocais. A retirada total da tireóide leva à necessidade
de repor, diariamente, o hormônio da tireóide para o paciente
operado.
A tireóide, porém, não produz somente T4 e T3, mas é fonte
de outro hormônio chamado de Calcitonina. Este hormônio
é importante pois contribui para levar mais cálcio para
os ossos, entre outras funções. Com a retirada total da
tireóide, o paciente fica sem a Calcitonina, com risco de
ter menos cálcio no osso (osteopenia, osteoporose). Portanto,
é útil acrescentar suplementação de cálcio para todos os
pacientes, principalmente em mulheres que já estão acima
da quarta década de vida e próximas do período de menopausa
ou já no climatério.
Como o médico controla a medicação
A dosagem de L-tiroxina é determinada pela resposta clínica
ao medicamento e pela realização periódica de exames laboratoriais.
Muitas vezes o médico se baseia somente nos testes, esquecendo-se
de que cada paciente tem "sua" dose individual de hormônio
da tireóide com a qual se sente bem, com muita energia,
com ampla vitalidade e bom metabolismo. Pode-se dosar o
nível de T4 no sangue (L-Tiroxina livre) e também verificar
se o hormônio da hipófise que estimula a tireóide (TSH)
está em nível adequado.
O tratamento com L-Tiroxina deve ser cuidadoso para evitar-se
excesso deste hormônio na circulação, que poderá levar a
excesso de batimentos cardíacos (taquicardia) e mesmo arritmias
cardíacas. Por outro lado, o hormônio da tireóide pode induzir
saída do cálcio dos ossos se a dose for excessiva, o que
poderá levar a futura osteoporose e possibilidade de fraturas
(cabeça do fêmur). Tomando alguns cuidados, viver sem tireóide
poderá ser seguro, tranqüilo e com mínimas alterações na
qualidade de vida da pessoa.
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Fonte:
Prof. Dr. Geraldo Medeiros Neto - out 2007
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