Rogier van der Weiden

Representações pictóricas de tireoide aumentada de volume em senhoras famosas do século XV, pintadas por van der WeidenA deficiência crônica de iodo estava presente em vários países da Europa continental até que, finalmente, o iodo foi descoberto (1808) e corretamente empregado em sal destinado ao uso das populações.  Tal fato ocorreu na França em meados do século XIX. Artistas que visitaram o Brasil em excursão pelas cidades interioranas constataram enormes bócios nas populações do Vale do rio Paraíba. Também em outros Estados, ou províncias interioranas, a presença de bócio era muito conhecida e representada em desenhos das várias expedições científicas que nos visitaram.Em um artigo recente de um grupo holandês, os autores verificaram que o famoso pintor Rogier van der Weiden (1399-1464) notou em várias de suas retratadas a presença de um volumoso bócio, ou seja, uma tireoide bastante aumentada de volume. Pela fidelidade às características das pessoas que se faziam retratadas  é admirável que o artista pudesse mostrar que a população feminina, principalmente da região dos Países Baixos, estavam vivendo sob carência crônica de iodo. Tal fato leva, principalmente no sexo feminino, ao aumento difuso da glândula tireoide. O pintor van der Weiden, seguramente, não poderia saber a causa do intumescimento da tireoide, pois sequer em estudos anatômicos, essa glândula não era descrita. A presença de uma glândula chamada tireoide somente surgiu nas descrições anatômicas de Leonardo da Vinci (séc. XVI).No Brasil, já no século XIX, as expedições científicas alemãs que acompanharam a Imperatriz Leopoldina mostraram, de maneira clara, a presença de volumoso aumento da glândula tireoide em mameluca do Vale do Paraíba. Tal fato atesta como a falta crônica de iodo era comum em todo Brasil Imperial. Essa falta crônica de iodo somente irá se resolver após leis que passaram a veicular o precioso iodo no sal consumido por toda população brasileira.
Source: Indatir