Tireoidite de Hashimoto

1). O que é tireoidismo de Hashimoto? Quando surgiu e aonde?

A Tireoidite crônica de Hashimoto recebeu este nome por homenagem ao médico japonês Y. Hashimoto que descreveu os achados de glândulas tireóide extremamente inflamadas, duras, no exame necroscópico. Notou o pesquisador japonês que as tireóides estavam invadidas por células brancas da circulação (linfócitos) e com suas unidades funcionais (folículos) destruídos. Tudo isto foi publicado em 1909 em uma revista alemã “Arkiv von Pathologie”.

2). Como se contrai a doença?

A doença não é contraída, como se fosse uma gripe, uma dor de garganta. A predisposição para ter a Tireoidite crônica está embutida nos genes que herdamos de nossos antepassados. É comum se verificar a presença de Tireoidite de Hashimoto em avó, mãe, tia e filha, mostrando o caráter genética da moléstia. Vários genes seriam responsáveis por esta doença, o que caracteriza o que se chama de Herança Poligênica. Basicamente a Tireoidite de Hashimoto incide oito vezes mais em mulheres do que em homens. Admite-se que sucessivas gravidezes e partos tenham papel desencadeante na Tireoidite de Hashimoto. O excesso de iodo na alimentação, o consumo de remédios que contenham iodo, o uso repetido de contrastes radiológicos contendo iodo, podem fazer eclodir Tireoidite de Hashimoto (portanto, excesso de iodo é fator desencadeante). O uso médico de certos fármacos como o Interferon (usado em hepatites) pode levar a maior agressividade do sistema imunitário e desencadear Tireoidite de Hashimoto.

3) Existe alguma possibilidade de contraí-la através de poluição ambiental?

Poluição ambiental com metais pesados como o Mercúrio e o Chumbo, em animais de laboratório, podem alterar o equilíbrio do Sistema imunitário e desencadeia reações auto-imunes, isto é, agressão contra órgãos do próprio indivíduo. Outros produtos químicos como hexa cloro benzeno (e similares) também alteram o sistema imunitário. Na há, contudo, referências na literatura médica sobre Tireoidite de Hashimoto sendo induzida por poluentes ambientais.

4). Quais são as principais causas?

A causa da Tireoidite de Hashimoto é um erro do sistema imunológico da pessoa, isto é, inicia-se a agressão por auto anticorpos dirigidos CONTRA a glândula tireóide. Em termos gerais todos nós temos uma glândula tireóide que não é alvo de ataque por anticorpos. Mas após exposição a fatores desencadeantes (iodo, partos, fármacos) e tendo os genes predisponentes (muito importante), o sistema imunitário inicia a fabricação de anticorpos contra a glândula tireóide. Isto se chama de auto agressão, culminando com destruição parcial ou total da glândula.

5). Quais são os principais sintomas?

Os sintomas são muito vagos e podem estar presentes durante muito tempo sem que a pessoa afetada se dê conta que tem um problema de tireóide. Cansaço fácil, fadiga crônica, muita sensibilidade ao frio, câimbras freqüentes, ganho de peso, inchaço, pescoço grosso (devido ao aumento do tamanho da tireóide) devem alertar o médico para esta possibilidade mormente após o parto e se já existe na família alguém com a Tireoidite de Hashimoto.

6). Qual é o diagnóstico? E o tratamento recomendado?

O diagnóstico é feito:

(1). Exame clínico: a tireóide está aumentada, dura e irregular em seus contornos. Os reflexos podem estar lentos, pode haver anemia e pode ser detectado certo “inchaço”.

(2). O exame de ultra-sonografia da tireóide é fundamental. Indica glândula tireóide inflamada, com baixo nível de ecos (hipoecoica). Os exames de sangue confirmam a presença de anticorpos anti tireóide (anti TPO e anti-Tg). Pode haver hipotireoidismo e neste caso os hormônios da tireóide (T3 e T4) estão baixos e o TSH (hormônio da hipófise) está elevado.

7. Trata-se realmente de uma doença incurável?

Uma vez instalada uma doença de auto-agressão, isto é, o sistema imunitário iniciou a produção de anticorpos contra a tireóide, o processo patológico NÃO CESSA . O corpo humano tem o que se chama de MEMÓRIA IMUNOLÓGICA, isto é, tem registrado os agentes bacterianos (por exemplo) que nos agridem e são combatidos por anticorpos específicos. No caso da Tireoidite de Hashimoto a agressão dirigida contra a tireóide é contínua, e os anticorpos sempre são produzidos.

8. O que é hipotireoidismo?

Hipotireoidismo é a falta de quantidade suficiente e necessária de hormônios da tireóide, chamados de T3 e T4. Neste caso o (a) paciente deve tomar o hormônio de tireóide (tiroxina) por via oral, uma vez ao dia.

9. Existe maior incidência em homens ou mulheres? Em que idade aparece com mais freqüência?

Como já disse a Tireoidite de Hashimoto é oito vezes mais freqüente em mulheres do que em homens e aumenta, em prevalência, a partir dos 40 anos, chegando a atingir 13% das mulheres após a menopausa.

10). Após detectada a doença e tratada, existe a possibilidade do paciente voltar a contraí-la devido à exposição a algum tipo e poluição ambiental?

Não há nenhum registro na literatura médica indicando maior prevalência de Tireoidite de Hashimoto com poluição ambiental.

11). Existe um cenário propício para se contrair esta doença?

A resposta é afirmativa. Em condições de ingestão muito elevada de iodo, diariamente, por longos anos, sempre acima de 300 microgramas de iodo por dia, cria-se fator desencadeante para doença autoimune da tireóide.

12. Quais as precauções que devem ser tomadas para evita-la?

Enquanto não conhecermos os genes que predispõem à Tireoidite crônica creio que o melhor que podemos fazer é recomendar às pessoas que têm esta doença na família, o exame minucioso da tireóide, anualmente, principalmente em mulheres após os 40 anos.