quinta-feira, 22 de maio de 2014

Dia Internacional da Tiróide

25 de maio de 2014
é o 
Dia Internacional da Tiróide


A tiróide como problema de saúde pública

1. Suplementação de iodo a toda população brasileira


O Brasil, desde a época colônia até 1995, sempre teve como problema de saúde pública uma deficiência crônica de iodo, atingindo de forma global os habitantes dos Estados sem acesso ao mar. As várias tentativas de colocar iodo no sal para consumo humano sempre tiveram dificuldades quanto a implementação. Somente em 1995 é que, efetivamente, o Ministério da Saúde pode, graças a leis específicas, fornecer iodo à indústria salineira para que ficasse eliminada a deficiência crônica de iodo. Foi uma enorme conquista, pois o amplo acesso ao iodo, diariamente, é essencial para mulheres grávidas e os filhos que estão em gestação. Além disso, a população infantil necessita de uma correta nutrição em iodo para o desenvolvimento do sistema nervoso central e para o crescimento somático adequado.

2. O rastreamento neonatal das moléstias de tiróide

terça-feira, 20 de maio de 2014

A utilidade e a necessidade da ultrassonografia da tiroide

O uso da técnica de se examinar a região cervical anterior por ultrassonografia visa obter imagens panorâmicas da glândula tiroide, bem como das artérias e veias cervicais, e eventuais linfonodos nas várias regiões que circundam a tiroide. Inicialmente, a ultrassonografia era realizada por meio de aparelhos com imagens de qualidade limitada, e praticamente de uso hospitalar. No início do século XXI, todavia, o uso de aparelhos portáteis, de alta definição, com imagens de alta qualidade, levou a ultrassonografia da tiroide ao consultório do endocrinologista. Notou-se que, nos vários congressos de endocrinologia, que se seguiram na última década, havia sempre um período dedicado ao ensino do uso da ultrassonografia no diagnóstico e seguimento de pacientes com doenças da tireoide, com uma expressiva participação dos endocrinologistas.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Remédios genéricos vendidos sem receita

Comprimidos de levotiroxina vendidos sem receita médica (genéricos) podem ser causa de hipertireoidismo (excesso de função da tiróide)

Pessoas que tomam levotiroxina sem que tenham realizado exames apropriados e verificado o mau funcionamento da tiróide podem apresentar um problema sério, ou seja, excesso desse hormônio na circulação, causando alterações cardíacas (taquicardia), alterações no sistema ósseo (osteoporose) e diminuição da massa muscular, além de perturbações no sono e irritabilidade. 

Além do hormônio da tiróide disponível sem receita, muitas pessoas que se sentem sem disposição, depressivas, ou com muito stress e excesso de trabalho, procuram em suplementos chamados dietéticos, um apoio para melhorar. Contudo, é necessário ver cuidadosamente se esses suplementos ou energizantes não contém hormônio da tiróide. A Dra. Susan Lee verificou que parte considerável das mulheres, acima de 40 anos, estavam tomando comprimidos de L-tiroxina sem o indispensável conselho médico, ou suplementos energizantes que continham esse hormônio. Aproximadamente 1/3 das pacientes apresentavam excesso de função da tiróide com todos os inconvenientes pertinentes a esse problema. 


Conclusão: O hormônio da tiróide só deve ser parte da sua prescrição após exames clínicos e laboratoriais e, em dose individual prescrita pelo médico. No Brasil, este problema pode ser ainda mais frequente, uma vez que a levotiroxina é vendida sem a indispensável receita médica. É muito comum que senhoras com excesso de peso usem, erroneamente, a levotiroxina para ter perda de peso mais rápida, o que é considerado totalmente errado e enganoso.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Hipotireoidismo na população adulta no Brasil

 O hipotireoidismo (falta de função da tiróide) na população adulta no Brasil

Os dados populacionais mais recentes vêm indicando um progressivo aumento da falta de função da glândula tiróide na população brasileira, atingindo com maior frequência as mulheres. De fato, nota-se que a proporção de mulheres afetadas é cerca 4 para 1 homem.


Vários fatores concorrem para este predominância no sexo feminino. Em primeiro, se colocam os genes que induzem à moléstia. A genética da doença crônica autoimune (doença de Hashimoto) é devido a um conjunto de genes dos quais, pelo menos 3, são bem conhecidos. Um desses genes está ligado ao cromossoma X, característico do sexo feminino. Outro gene está ligado a uma proteína fabricada pela tiróide, chamada de tireoglobulina. De uma forma simplificada, pode se dizer que modificações genéticas herdadas dos nossos pais e avós podem permanecer sem ação efetiva durante muitos anos. Fator normais da vida quotidiana podem induzir uma participação ativa do genes, induzindo “ataque” à própria glândula tiróide por meio de anticorpos, os quais, agressivamente atacam as estruturas tireoidianas progressivamente até a indução do hipotireoidismo. Os fatores desencadeados podem ser fisiológicos, como por exemplo, a gravidez. 


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O número de operações de tiróide aumenta de forma alarmante no Brasil e no mundo

O número de operações de tiróide aumenta de forma alarmante no Brasil e no mundo


Nos grandes centros urbanos do Brasil é muito comum que em conversas familiares, ou em reuniões sociais, alguém comenta: “Você sabia que fulana foi operada da tiróide?” Isto se tornou quase que uma informação que, há 20 anos atrás, era relativamente rara. O fato não se restringe ao Brasil, mas publicações recentes dos Estados Unidos, da União Européia, do Japão e outros países asiáticos mostram que o número de operações de tiróide triplicaram nesses últimos 15 anos, sem relação com o aumento populacional.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Triagem neonatal - Diagnóstico de falta de função da glândula tiróide

Defeito no sistema de audição é frequente em pacientes nos quais foi diagnosticado falta de função da tiróide ao nascer

Um estudo recentemente realizado na França acompanhou 1748 pacientes nos quais, na triagem neonatal, tiveram o diagnóstico de falta de função da glândula tiróide.
Esses pacientes foram tratados com L-tiroxina por um período médio de 24 anos. Durante esse período, os pacientes foram submetidos a testes de audição por queixa individual de surdez parcial ou mesmo sem nenhum sintoma. De uma maneira resumida, 2/3 dos pacientes relataram queda da audição em relação a 1 grupo de pacientes que jamais tiveram falta de função da tiróide.



Curiosamente, a perda de audição durante todos esses anos de segmento foi mais comum em pacientes que, ao nascer, apresentavam ausência total da glândula tiróide. Igualmente, a presença de uma tiróide aumentada no recém-nascido (bócio congênito) foi frequentemente associado a perda de audição. Os pesquisadores notaram também que um fator, baixa concentração de hormônio de tiróide no recém-nascido poderia ser considerado como altamente relacionado com a perda de audição. A perda de audição em quase todos os pacientes era bilateral e do tipo chamado neurosensorial, isto é, ligado à transmissão dos sons para o centro cerebral de audição. A maioria dos pacientes em exames especializados apresentava perda de audição para frequências sonoras elevadas. 

Em conclusão, apesar do imenso benefício da triagem neonatal e da terapêutica precoce com L-tiroxina, os pacientes com falta de função da tiróide podem apresentar na fase adulta da vida, grau variável de perda de audição. Os autores recomendam exames periódicos para todos os pacientes diagnosticados com hipotireoidismo congênito nesta área de audição.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Excesso de iodo (Hashimoto)

O excesso de iodo leva a um aumento significativo de doença autoimune da tiróide (tireoidite crônica de Hashimoto)


Em vários países do mundo a falta crônica de iodo provoca aumento significativo de doenças da tiróide. O mais conhecido efeito da falta de iodo é o aparecimento de bócio, isto é, aumento0 de volume da tiróide. Graças aos esforços da Organização Mundial de Saúde e outras entidades não-governamentais, a maioria dos países, hoje em dia, previne a falta de iodo com adição de iodo ao sal consumido pela população.

Outro problema que já foi verificado em alguns países é o excesso de iodo consumido pela população, o qual também altera a tiróide. O mais conhecido problema do excesso de iodo é o aumento significativo de uma inflamação crônica da tiróide, chamada de tireoidite crônica autoimune, também conhecida como tireoidite de Hashimoto. 


Em recente trabalho da Universidade de Pisa, os pesquisadores conseguiram demonstrar que o excesso de iodo por um período relativamente grande (3 ou mais anos), leva a uma alteração genética na principal proteína da tiróide, chamada de tireoglobulina. Esta proteína contém em sua estrutura os 2 hormônios da tiróide, chamados de T3 e T4. Quando existe excesso de iodo, a tireoglobulina apresenta alteração genética em sua estrutura a qual compromete a sua conformação proteica. Isto faz com que esta proteína geneticamente modificada não tenha reconhecimento como tireoglobulina normal. Imediatamente, o sistema imunológico passa a gerar anticorpos contra a tireoglobulina defeituosa. Obviamente, esses anticorpos atingem não somente a proteína, mas todas as estruturas da tiróide com contínuo dano à glândula. Progressivamente, a glândula deixa de produzir, normalmente, seus hormônios e os pacientes podem ter declínio progressivo de hormônios da tiróide (hipotireoidismo).

Conclusão: O excesso de iodo nutricional pode desencadear alteração genética na tireoglobulina e conduzir a tireoidite crônica autoimune em parte da população suscetível a doenças de tiróide.